sexta-feira, 16 de abril de 2010

opinião

Fim de ciclo, Dever cumprido

Por: Almeida Henriques

Permitam-me que esta semana aborde o fim do meu mandato enquanto Presidente do Conselho Empresarial do Centro - Câmara de Comércio e Indústria, organismo a que presidi durante nove anos.

Defendo que a melhor maneira de protegermos as instituições e de fazermos sempre um trabalho meritório em prol da comunidade, implica que auto limitemos os nossos mandatos, foi isso que fiz ao candidatar-me pela terceira vez, honro agora o compromisso abrindo a porta à mudança e à renovação.

Marquei eleições para o próximo dia 23 de Abril, realizei esta segunda feira a minha última reunião de Direcção, com sentimentos algo contraditório; por um lado, o sentimento do Dever cumprido, dei o meu máximo a esta causa, peguei numa ideia e dei-lhe corpo, liderando uma vasta equipa que foi crescendo todos os dias, à medida que construíamos novas redes, é pois um trabalho de muitos; por outro lado, alguma nostalgia de finalizar uma tarefa que me deu muitas dores de cabeça mas, ao mesmo tempo muito gozo.

A Região Centro ocupa hoje o lugar de pleno direito que lhe cabe, o CEC-CCIC é uma entidade incontornável no contexto do associativismo empresariam no País e na Região

Ao longo de nove anos muitos objectivos atingimos, para não vos maçar sintetizo no próximo parágrafo alguns dos marcos mais relevantes.

A representatividade associativa e empresarial, designadamente no seio da CIP (Confederação da Industria Portuguesa), onde o CEC/CCIC assume uma das Vice-Presidências, a afirmação dos serviços exclusivos da Câmara de Comércio e Indústria, numa lógica de proximidade ao tecido empresarial, a certificação ISO do Conselho Empresarial e de onze Gabinetes Empresa instalados em Associações com plena cobertura regional, uma importante revisão estatutária que garantiu a abertura à sociedade civil e a criação de secções especializadas, um estimulante incremento das relações com as Entidades do Sistema Científico e Tecnológico, de onde resultaram a criação das Redes de Incubação e Empreendedorismo e Inovação e Competitividade, a fundação do Conselho Consultivo, órgão que congrega os maiores grupos empresariais do Centro, Instituições de Ensino Superior, CCDRC e autarquias, a fundação da primeira sociedade de capital de risco regional – Centro Venture – e de uma agência especializada para a gestão de parques empresariais e captação de investimento, a integração na rede EEN (Enterprise Europe Network), ao serviço da internacionalização e apoio às PME no que à dinâmica da construção europeia respeita, bem como o reconhecimento do CEC/CCIC como Organismo Intermédio, ao abrigo de contrato de delegação de competências com o Estado Português, para a gestão de fundos estruturais são alguns dos exemplos.

A Região Centro, com o seu peso de cerca de 20% do PIB e a sua capacidade exportadora que a tornam na única região do País com balança de transacções positiva, apresentada no ano de 2008 um excedente de 572 milhões de euros, importámos 7.058 milhões de euros e exportámos 7.630 milhões de euros, representa 25% da população portuguesa, cerca de 1/3 do território e engloba distritos âncora como Aveiro e Leiria a que se juntam Viseu e Coimbra em crescimento e um Centro Interior (Guarda e Castelo Branco) a necessitarem de uma atenção especial.

Muito há para fazer, claro que sim, a AFIRMAÇÃO DE UMA NOVA CENTRALIDADE é uma tarefa de todos, efectuada em cada dia, só seremos mais fortes se conseguirmos aproveitar sinergias, definir estratégias complementares e trabalhar em rede.

Um obrigado a todos os que comigo colaboraram, Boa Sorte para os que irão pegar nos novos desafios que se adivinham.

* Deputado PSD
António Almeida Henriques

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